Seguindo por esse caminho de surpresas e maravilhas, fui parar no Burggarten, um parque que resplandecia em sua verdura ao sabor do sol que se abria sobre a cidade. Sucediam-se estátuas de Mozart, Goethe (apesar de ser alemão, e não austríaco) e de outros ícones da cultura e da história germânicas.
Uma rápida caminhada ao redor do parque levou-me direto à Schetterlingshaus. Com o perdão do trocadilho, me senti em casa (SMOP, essa foi em nossa homenagem!!!). Borboletas azuis, vermelhas, marrons, em tons de tigre, verdes, amarelas, de todas as cores povoavam esse jardim que continha plantas, flores e um pequeno riacho. Tentei, em várias ocasiões, fotografar uma borboleta azul que reinava absoluta naquele viveiro, mas, em todas as vezes, a bichinha, arredia como só ela, insistia em fechar as asas que dão beleza ao seu ser.
Saindo desse reino encantado de borboletas e fadas, saí do parque. Atravessei uma rua para fotografar o Museu Albertina. Assim que cheguei ao outro lado, deparei-me com o prédio que procurara, sem êxito, por algum tempo. Contornei o prédio e vi a entrada principal da “Staatsoper”. A vontade de entrar e assistir a alguma ópera lá foi tão grande. Parece que a da noite anterior não fora suficiente... Na frente do prédio, havia mais rapazes vestidos com trajes de época convidando para um concerto à noite. Com o coração cortado, tive de recusar, mais uma vez, essa oportunidade do destino.
Após admirar bastante o prédio que abrigava a ópera, saí em busca de um café vienense, afinal, só fizera um das três refeições decentes (que não incluem McDonald`s) que planejava fazer durante a viagem. Ao invés de seguir em frente, fui contornando a ópera, sem me preocupar mais com o mapa. Achei que estivesse indo em direção ao café em que queria ir, mas fui em direção contrária.
Logo vi um parque com uma estação de metro “Karlsplatz”. “Ops, pensei, isso não estava no planejado... Era para vir aqui depois do café...” Mas, como não se discute om o destino, fui conhecer Karlsplatz. Lindo o jardim que se abria à minha frente, com seus desníveis verdejantes e seus canteiros de flores multicoloridas.
No meio da praça, tinha um lago. Em frente ao lago, erguia-se Karlskirche, com toda a beleza de sua cúpula verde e suas colunas cheias de desenhos com motivos religiosos incrustados por toda a altura. A linda igreja, duplicada em seu reflexo no lago, reinava imponente e indiferente sobre todos os que estavam no parque – turistas e os felizardos residentes da cidade.
Por conta do avançado da hora, temendo perder-me mais em meio a tanta beleza e deslumbre e acabar por não poder tomar o café planejado, voltei de metrô até Stephansdom. Da estação, segui pelas ruas comerciais maischiques da cidade. Vi as vitrines, ainda que fechadas, da Cartier, da Montblanc, da Tiffany`s (me senti a Holly Golithly), da Chanel e outras.
Finalmente, avistei uma ilha de mesas e pessoas sentadas e garçonetes e um cheiro maravilhoso que envolvia todo esse oásis em meio à rua vazia e às lojas fechadas. Achara meu destino: Demel – alta confeitaria. Encontrei uma mesinha na calçada e sentei-me. Pedi um heiße Schokolade e uma Annatorte. Chegou a torta, de 15 cm de altura – metade dos quais, chocolate puro. Veio o chocolate quente coberto com chantilly. Estava servido o banquete de cacau.
O chocolate quente de lá foi, sem sombra de dúvida, o melhor que eu tomei na minha vida! A torta estava fantásticas, vários tipos de chocolate que se misturavam e se distinguiam, cada ação a seu tempo. Devo admitir que, em alguns momentos, pensava que até para mim era chocolate demais... Terminado o festival gastronômico, fui à loja deles e tive de comprar alguns chocolates para levar.
Voltei para Stephanplatz – já quase 13h – e comprei umas lembrancinhas. Achei que teria tempo de fazer uma loucura antes de ir embora, então, entrei em um metrô e fui até o Danúbio para ver se ele é mesmo azul. Fui até lá e encontrei uma água em tom meio verde-amarronzado ou marrom-esverdeado. Desci até a margem, pensei em colococar minha mãozinha para sentir a água, mas ela não parecia das mais limpas... Subi de volta à rua, voltei ao metrô e resolvi voltar ao hotel.
Cheguei no hotel, arrumei tudo, tomei um último banho de banheira, sequei o cabelo, me arrumei, fiz maquiagem para me despedir em grande estilo da cidade. Desci e fechei minha conta. Após pagar e pegar toda a minha bagagem (uma maleta de mão e uma sacola de presente), saí e voltei a Stephanplatz, para ver se almoçava alguma coisa.
Entrei em um café bem em frente à Stephansdom. Sentei-me em uma mesinha e pedi um Schnitzel. Logo depois veio um Schnitzel grandinho até, mas delicioso, e uma salada com batata, tomate e rúcula. Comi todo esse almoço, tipicamente austríaco, podendo olhar a catedral à minha frente. De sobremesa, comi um legítimo Apfelstrudel e tomei um café vienense.
Nesse momento, perto da minha partida da cidade encantadora que passou a povoar meus sonhos, alguma coisa do alemão pôde voltar para minha cabeça. Consegui, inclusive, conversar um pouco com o garçom. Eu o entendia e ele me entendeu... Logicamente, errei muitas palavras, falava de um modo atravancado, mas, de forma geral, consegui me comunicar...
Despedi-me da catedral, do centro histórico, da cidade. Voltei ao escuro e úmido mundo subterrâneo do metrô. Peguei o trem que me levou à estação Südbanhof. Lá, consegui encontrar o trem que me traria de volta a Liubliana. Subi e sentei-me perto à janela. Ainda fazia sol e estava um dia lindo.
O trem começou a se movimentar. Aos poucos, os telhados se sucediam, cada vez mais rapidamente, e sumiam no horizonte, dando espaço a novos telhados. Senti um aperto no coração e as lágrimas nos olhos enquanto a velocidade do trem aumentava, distanciando-me, assim, da cidade que acabara de conhecer e pela qual acabara de ma apaixonar!
quarta-feira, 23 de abril de 2008
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Um comentário:
Nossa Dri, que lindo!!! Até chorei com sua narração desta cidade pelo qual me apaixonei só de ler a descrição fantástica que fizeste!!! Ahh, que vontade de estar junto com vc, ainda mais naquele parque o qual disse existir borboletas e fadas!!! Que sonho fantástico, parece com um sonho meu....
Além disso, qtas lembranças mevieram a mente das aulas de alemão, da SMOP e de nossas saídas, principalmente as que foram no Daniel Briand,lugar o qual mais se aproxima da descrição dos lugares que fez suas refeições!!!
Bjoss
Ana cláudia
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