terça-feira, 22 de abril de 2008

Viena - Segundo dia - Parte 1

No domingo, acordei com uma suave luz que invadia meu quarto, a despeito da fina cortina que tentava cobrir a janela. Levantei-me e me arrumei para conhecer realmente a cidade. Troquei de roupa, fiz uma maquiagem leve e arrumei o cabelo. Arrumei a bolsa e pus nela o mapa da cidade e o guia em esloveno.

Desci até o local do café da manhã. Peguei um croissant e um pão com passas e umas sementes que não identifiquei. Perguntada se queria ovos, respondi que não (ao contrário do meu hábito em hotéis), pensando que aquilo era muito americano, e que eu queria um desjejum mais europeizado. Comi o croissant e o outro pão com geléia de framboesa, tomei suco de laranja e chá verde, adoçado com mel. Saí e peguei o metrô em direção à praça central da cidade, Stephanplatz.

Ao subir as escadas que levariam do mundo inferior do metrô à cidade esplendorosa por ser descoberta, meus sensos foram tomados por completo. À medida que me aproximava do fim da escada, ouvia mais nitidamente os sinos que dobravam, chamando os fiéis à missa que começaria em instantes e logo vi a própria catedral que reinava, imponente, sobre a praça que levava seu nome. Estava no berço de Viena! Não pude conter a emoção que me tomava de sopetão. Quis registrar tudo com os olhos de meu rosto e da minha alma. Fotografei a catedral, admirei-a, quis tocá-la, mas temi desrespeitar aquela construção que, de tão imponente e poderosa, parecia nos oprimir aos mortais.

Tomei coragem e atrevi-me a entrar. Essa igreja estava tomada de fiéis, curiosos e turistas. Na nave, a missa corria em alemão, mas na parte inicial da Sé, todos os idiomas se misturavam, como uma Babel moderna incrustada em meio a todo o catolicismo germânico. Flashes luziam em todas as direções possíveis, tentando captar toda a magnificência daquela morada de Deus. A nave, as imagens, o órgão, o teto com suas abóbadas, tudo era alvejado por aquelas máquinas fotográficas que lembravam metralhadoras em meio à atual guerra por sempre mais informação e imagens.

Saí da Igreja com a alma plena de paz e calma. Sentia-me leve, como acontece amiúde, após sair de uma igreja. Comecei a andar sem saber exatamente para onde ia. Admirava cada novo prédio que via e caminhava seguindo minha intuição e as ruas e prédios que me prendiam a atenção, não olhava muito para o mapa que levava nas mãos.

O acaso levou-me a outra igreja, a de São Pedro (segunda igreja de São Pedro que encontro por acaso ultimamente). Nessa, não me atrevi a entrar, pois a missa já começara e não quis, de forma alguma, atrapalhar os serviços divinos que ocorriam lá dentro.

Continuei o passeio pelo centro histórico. Meus passos não seguiam nenhum caminho lógico, nenhum planejamento prévio, nehuma direção específica. Ao acaso, ia encontrando prédio magnifícos e seguindo um labirinto sem fim de construções imperiais e parques verdejantes.

Aproximei-me doParlamento. Aos poucos, comecei a ouvir “Canon”, de Pachebel. Essa música tão bonita e importante para mim (foi a que tocou na minha formatura) foi me chamando e, quando dei por mim, estava dentro do prédio, de frente para um rapaz vestido com roupas de época tocando violino. Isso tudo era para chamar a atenção do povo e convidar os transeuntes a um concerto que ocorreria mais tarde. Fiquei tão triste de não poder ir a um desses concertos...

Continuei meu caminho aleatório, apesar de menos aleatório, pois tentava seguir a direção certa para chegar ao Hofburg. Andava com passos incertos, tentando adivinhar o caminho e parando a cada momento para me maravilhar com alguma construção que me cruzava os olhos. Assim, quando quis afastar-me da Balhaus, para poder enquadrá-lo (apesar de ser neutro, uma das coisas que e ficaram das aulas de alemão) melhor na foto, atravessei um rua e vi o tão esperado Hofburg.

Esse foi o momento em que quis perder o trem e ficar lá para sempre. Andei muito para atravessar todos os jardins e ruas que me separavam do palácio. Finalmente cheguei. Logo na entrada, deparei-me com uma fila de Fiaker, que esperavam os turistas, os quais abundariam naquele belo domingo, garantindo, assim, o sustento de seus motoristas.

Andei ali pela frente, não ousando me aproximar muito. A essa distância respeitosa, observei o Palácio e os outros prédios – no mesmo estilo arquitetônico – que integravam o complexo (bibliotecas, museus, teatro, escola de equitação...). A cada momento, uma nova Überraschung, um novo maravilhamento. Em cada canto, a realização de um sonho e o sonho de ficar mais por lá.

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