quinta-feira, 17 de abril de 2008

Viena - Primeiro dia

A história começa na sexta-feira, por volta das 17h30. Olho para o calendário e vejo que só tenho mais dois finais de semana disponíveis para viagem. De repente, desespero. “O que fazer agora? Ainda queria ir a Viena e Budapeste. Vou ter que viajar amanhã”. Começo a ver possibilidades em Budapeste. Entro em alguns sites de hotéis, penso em escrever e-mail a um amigo de uma amiga, pedindo dicas, etc...

Minha colega diz: “Por que você não vai a Viena? Aí, se eu não puder ir a Veneza no final de semana (olha que situação: ela TEM que ir a Veneza a trabalho...), queria ir a Budapeste também.” Falei “OK, pode ser. Vou ligar para o hotel, se tiver vaga para amanhã, eu vou para lá”. Não tinha a menor esperança de encontrar vaga em um hotel maravilhoso e até barato que me haviam indicado. Liguei para eles e perguntei. A senhora simpaticíssima foi verificar e ligou de volta avisando que tinha um quarto disponível. Na hora, reservei-o e decidi ir a Viena.

Fui à estação de trem e consegui comprar minha passagem para o sábado de manhã e a volta para o domingo à tarde. Sentia bátegas de ansiedade invadindo meu ser. Estava feliz, ansiosa, mal podia esperar o dia seguinte. Arrumei uma pequena mala de mão com tudo o que achei que poderia precisar, que foi mais do que usei de qualquer forma. Fui dormir na esperança de sonhar com a cidade e de chegar lá mais rápido.

No sábado, acordo cedo e me dirijo à estação. Como não tinha idéia do que eu poderia ver na cidade, queria comprar um guia de Viena na papelaria/livraria no caminho. Ao chegar, perguntei se havia o guia e a atendente disse que sim, mas em esloveno. Pensei um pouco mas achei melhor comprar, junto com um mapa da cidade com algumas informações turísticas. No trem (cinco horas e meia de viagem), folheei o guia e decidi alguns passeios.

A chegada na estação de trem foi um pouco conturbada. Todos sabiam aonda ir, menos eu. Sentia-me perdida e sozinha em meio a tanta gente que sabia seus destinos e caminhos. Fui seguindo o fluxo, descendo as escadas rolantes. Procurava algum sinal, alguma coisa que eu pudesse ler, mas logo vi que meu alemão não embarcara comigo, ficara perdido, três anos atrás, quando larguei o Goethe para estudar para o concurso.

Depois de algum esforço e algumas horas, consegui descobrir como chegar à estação de metrô. Ao chegar lá: mais desespero. Não havia vivalma que me pudesse dar informações. Não hesitei em sentar-me no chão, abrir o mapa e tentar descobrir como chegar de um ponto a outro. Julguei ter entendido, mas um rapaz simpático me informou que eu estava no local errado, estava pegando um trem para sabe Deus onde...

Encontrei o local certo e consegui chegar à estação que queria. Saí pelo lado errado da estação, então demorei um pouco a encontrar a rua. Por fim, duas horas depois do desembarque, cheguei ao hotel.

Fiz o check-in e fui ao quarto: número 7 (prenúncio de boa sorte!). Abri a porta e descobri um quarto maravilhoso! Uma grande sala de estar, com sofá, escrivaninha, televisão e lareira; uma varanda que dava para o jardim, com mesinha e cadeiras; banheiro imenso, com banheira, secador de cabelo e espelho iluminado e um quarto com uma cama grande, macia e gostosa.

Deixei o material no quarto, lavei o rosto e saí. Fui de metrô até o Schloss Schönbrunn. Não pude entrar pois cheguei 20 minutos antes de o palácio fechar. Ainda assim, pude maravilhar-me com os jardins imensos, o próprio palácio amarelo, os muros altos e toda aquela aura imperial. Fiz um passeio de carruagem (Fiaker) em volta do palácio. Vimos os jardins, o zoológico, o labirinto...

À medida que a carruagem avançava, o céu tornava-se menos azul e adquiria contornos rosados e as nuvens ganhavam um tonalidade áurea que combinava com o palácio. Pessoas passeavam calmamente pelos bosques e jardins por onde, muitos anos atrás, também calmamente caminhava a Imperatriz Sissi.

Anoitecia em Viena. Mais do que isso, anoitecia em Schönbrunn. Aos poucos, os tons pálidos do céu davam lugar a um azul profundo como o oceano, contrastando com o amarelo claro da construção imponente. Tomei um café e fui assistir, ali mesmo, a uma ópera de marionetes. Foi encenada “Die Zauberflöte”, de Mozart – outro tesouro do país. Foi lindo! Havia momentos em que as marionetes pareciam pessoas, de tão reais suas vestes, figuras e movimentos.

Procurei um restaurante típico, para comer um Schnitzel. Após muito andar procurando um restaurante indicado no mapa turístico como um dos melhores da cidade, encontrei o local fechando suas portas. Procurei alguma coisa aberta lá por perto, mas não achei, pois estava na rua comercial da cidade e não na área turística. Acabei tendo que lanchar no McDonald`s, afinal, não comera nada o dia inteiro, apenas tomara um café antes da ópera.

Voltei para o hotel triste por não ter podido ir a um restaurante legal e extremamente cansada. Tomei um banho de banheira e fui dormir.

2 comentários:

Leonardo Wester disse...

Oi Dri!
Já estou curioso para saber como foi o segundo dia em Viena. E entendo muito bem como é ver todos tomando um rumo certo e você não ter a menor idéia nem de onde está naquele momento. Mas depois, quando nos achamos e conseguimos ir aos locais programados, a sensação de desbravamento é satisfatória.
Aproveite bastante!
Beijos,
Leo

Unknown disse...

Dri!!!

Que delícia!!!! Adorei seu primeiro dia em Viena. Precisamos saber onde é esse hotel fantástico que vc descreveu.
Menina, mas o que eu queria mesmo é estar junto com você. Até o momento perdida e sozinha me pareceu gostoso ;)

Aproveite o mundo, Di!!!

Beijocas,

Pati